Os laços permissivos da educação se alargam dia após dia em nossa sociedade.
No século passado, meninos de internato eram obrigados, por qualquer deslize, a ajoelhar no milho, rezar ladainhas ou o terço para se tornarem civilizados. "Noblesse oblige" diziam os mestres a qualquer um que dobrasse meia perna por cansaço ou apoiasse o braço.
Hoje, as salas de aula, sem milho , sem nobreza e sem obrigações formais se transformam em zoológicos , em que animais de todos os tipos fazem questão de se mostrar presentes. Professores leões, que abanam as jubas e usam o poder da canetada para que a pata possa atingir vítimas que não os respeitam pelo porte e pelo cargo, já que há poucos docentes-corujas, que gritam na hora certa e agrupam animais em volta pela experiência e pelo que têm a passar.
Alunas hienas riem pelos cantos das salas, aguardam a prova com uma cola no colo e tentam mostrar-se maiores que os outros.... talvez inimigos?
Alunos coelhoes que fazem de uma universidade não um local para o pensamento , mas uma área para o "transamento", assim como os lobos alfa, que enchem os peitos e afiam os olhos por trás dos óculos.
Discentes felinas que num cio perpétuo miam alto, abanam os rabos e se esfregam até mesmo em paredes.
Estudantes caninos cuja fidelidade aos mestres os impedem de questionar.
Há de tudo nesse zoo, que se diz bem educado, sem nobreza, sem obrigações e sem civilidade. A educação, a civilização diria Freud, converte o perverso pequeno, mas as leis simbólicas estão tão esgarçadas que talvez hoje nas universidades haja mais perversos que neuróticos.
O pior de todos é o aluno orca, em extinção. Parece violento aos que não o conhecem, talvez pelo conhecimento que traz ou pela grandeza aparente.É gregário, gosta de manadas, mas devende-se sozinho na selva da sala. Este está sempre à espera de um arpão.
Capolavoro, sim!!
Capolavoro, sim. Não no sentido de obra-prima, mas de prima obra. Este blog é destinado a todos aqueles que queiram trocar idéias sobre a vida, as leis, viagens e sentimentos.
Seja bem-vindo!
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
vingança e justiça: braços da balança
Alguns crimes, principalmente os considerados hediondos, inspiram sentimentos difíceis de serem assumidos. Em casos chocantes ou de grande apelo popular é comum ouvir a multidão gritar “justiça, justiça”. E o que seria essa justiça? Se o suspeito fosse entregue ali àquele grupo, o que faria ele? Iria julgá-lo de acordo com as normas jurídicas do país? Será que ele teria um defensor, além da própria mãe ou da mulher (nós, sempre tão sensíveis e abertas a acolher os nossos). Seriam ouvidas testemunhas ou o acusado, preste atenção, apenas acusado seria arrastado pelas ruas, linchado sob os mesmos ou bem próximos padecimentos da vítima, que deram origem aquela cena, dessa vez protagonizada por chamadas pessoas de bem?
A vingança é uma das emoções mais primitivas e se antes a lei de Talião permitia cobrar olho por olho, dente por dente, a norma jurídica hoje determina justiça, cega, mas não surda... A espada da mão direita só se levanta conforme a inclinação dos pratos da balança da mão direita.
O acusado tem direito a advogado de defesa, testemunhas e um júri justo. Condenado, talvez passe por algo similar ao que poderia ter ocorrido na rua, senão um linchamento físico, ao menos, um moral. A espada da justiça é um alerta para aqueles que, como o capitão Ahab, se deixam invadir a tal ponto pela vingança que entregam a própria vida e afundam no mar atrás da extraordinária baleia branca e jamais retornam.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Sinais
O que leva o ser humano a acreditar em sinais? sejam eles de ordem divina, inconsciente coletiva ou de algum espírito que passe por ali e lhe diga: essa é sua última chance. As coincidências, se é que podemos chamá-las assim, ocorrem diariamente e são realmente o que o sentido estrito da palavra exterioriza: simultaneidade de dois acontecimentos.... e quantos fatos ocorrem a cada segundo? e minuto? multiplique isso por 1.440 e vc terá as ocorrências do dia... siga multiplicando por todo um período da vida.... ora, não seria natural que com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo algumas delas coincidissem??? aquele encontro no shopping com alguém que vc não vê há anos, a matéria discutida ontem na redação e que hoje é capa de um outro jornal hoje, o desejo intenso e a quase realização dele, bastando para tanto um estalar de dedos. Por que encaramos esssas situações como mágicas, como integrantes do inconsciente coletivo ou um verdadeiro sinal.... e mais, sinal divino, já que terreno só não basta. Talvez esse signo, esse símbolo externo, nos dê coragem ou autorização para exercitar um desejo interno e não permitido por nós mesmos... buscamos , então, um pretexto, uma justificativa que valide nossa vontade. Mas, fico pensando, será mesmo que encontrar alguém que não vejo há muito, subitamente, em um shopping ou receber a visita de um amigo de longa data, que chega de repente do outro lado do Atlântico, não significa nada....bom, minha certeza é que esses fatos, pelo menos significam desejo... de vê-los, claro.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Trilhos
Depois de anos pensando nos prós e nos contras de ter um blog, o texto de um filme foi o empurrãozinho que faltava. Em Sob o Sol da Toscana conta-se a história da construção de uma estrada de ferro que une a Áustria e a Itália muito antes da chegada do trem ao local. Inspirador para quem tem sonhos. E quem não os tem? Inspirador pq mostra que vontade e transpiração andam juntos, lado a lado. É preciso olhar a frente, ter metas, objetivos... mas, não basta tê-los sentado em estado letárgico no sofá de casa. É necessário planejar e trabalhar. Sair da zona de conforto. Suar sob o frio das montanhas e, se necessário, sob o calor dos nossos trópicos. Retirar pedras, cortar rochas, criar o caminho onde ele ainda não existe, mas existirá.
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