Alguns crimes, principalmente os considerados hediondos, inspiram sentimentos difíceis de serem assumidos. Em casos chocantes ou de grande apelo popular é comum ouvir a multidão gritar “justiça, justiça”. E o que seria essa justiça? Se o suspeito fosse entregue ali àquele grupo, o que faria ele? Iria julgá-lo de acordo com as normas jurídicas do país? Será que ele teria um defensor, além da própria mãe ou da mulher (nós, sempre tão sensíveis e abertas a acolher os nossos). Seriam ouvidas testemunhas ou o acusado, preste atenção, apenas acusado seria arrastado pelas ruas, linchado sob os mesmos ou bem próximos padecimentos da vítima, que deram origem aquela cena, dessa vez protagonizada por chamadas pessoas de bem?
A vingança é uma das emoções mais primitivas e se antes a lei de Talião permitia cobrar olho por olho, dente por dente, a norma jurídica hoje determina justiça, cega, mas não surda... A espada da mão direita só se levanta conforme a inclinação dos pratos da balança da mão direita.
O acusado tem direito a advogado de defesa, testemunhas e um júri justo. Condenado, talvez passe por algo similar ao que poderia ter ocorrido na rua, senão um linchamento físico, ao menos, um moral. A espada da justiça é um alerta para aqueles que, como o capitão Ahab, se deixam invadir a tal ponto pela vingança que entregam a própria vida e afundam no mar atrás da extraordinária baleia branca e jamais retornam.
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