Os laços permissivos da educação se alargam dia após dia em nossa sociedade.
No século passado, meninos de internato eram obrigados, por qualquer deslize, a ajoelhar no milho, rezar ladainhas ou o terço para se tornarem civilizados. "Noblesse oblige" diziam os mestres a qualquer um que dobrasse meia perna por cansaço ou apoiasse o braço.
Hoje, as salas de aula, sem milho , sem nobreza e sem obrigações formais se transformam em zoológicos , em que animais de todos os tipos fazem questão de se mostrar presentes. Professores leões, que abanam as jubas e usam o poder da canetada para que a pata possa atingir vítimas que não os respeitam pelo porte e pelo cargo, já que há poucos docentes-corujas, que gritam na hora certa e agrupam animais em volta pela experiência e pelo que têm a passar.
Alunas hienas riem pelos cantos das salas, aguardam a prova com uma cola no colo e tentam mostrar-se maiores que os outros.... talvez inimigos?
Alunos coelhoes que fazem de uma universidade não um local para o pensamento , mas uma área para o "transamento", assim como os lobos alfa, que enchem os peitos e afiam os olhos por trás dos óculos.
Discentes felinas que num cio perpétuo miam alto, abanam os rabos e se esfregam até mesmo em paredes.
Estudantes caninos cuja fidelidade aos mestres os impedem de questionar.
Há de tudo nesse zoo, que se diz bem educado, sem nobreza, sem obrigações e sem civilidade. A educação, a civilização diria Freud, converte o perverso pequeno, mas as leis simbólicas estão tão esgarçadas que talvez hoje nas universidades haja mais perversos que neuróticos.
O pior de todos é o aluno orca, em extinção. Parece violento aos que não o conhecem, talvez pelo conhecimento que traz ou pela grandeza aparente.É gregário, gosta de manadas, mas devende-se sozinho na selva da sala. Este está sempre à espera de um arpão.



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